As portas e portais pintados da medina
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As portas e portais pintados da medina

Quick Answer

Porque é que as portas da medina de Tunes têm pregos de metal cravados?

Os pregos de ferro reforçavam originalmente a madeira contra arrombamentos, mas o padrão em que estão dispostos também carregava um significado decorativo e, nalgumas leituras, protetor. As portas cravejadas continuam comuns nas casas mais antigas da medina, mesmo onde a função defensiva há muito deixou de ter sentido.

As paredes exteriores lisas das casas da medina pouco revelam, mas é nas portas que a arquitetura deixa de se conter — madeira pesada cravejada com cabeças de pregos de ferro, batentes moldados à mão, molduras de pedra em arco, e pintura em azuis, verdes e ocres que variam consoante o bairro e a época. Assim que se começa a repará-las, as portas tornam-se uma das coisas mais gratificantes e de menor esforço a procurar enquanto se caminha pela medina, e este guia dá informação suficiente para se conseguir ler o que se está a ver, em vez de apenas o fotografar.

OndePor toda a medina, concentradas nas ruas residenciais fora dos souks principais
CustoGratuito — é uma atividade de caminhar e observar
Tempo necessárioMelhor incluída numa caminhada mais alargada pela medina, não como viagem isolada
Como chegarPercorra as ruas residenciais fora da Rue Jamaa Zitouna
Melhor alturaLuz do meio da manhã, evitando o brilho plano do meio-dia

Os principais portões da cidade antiga

A medina de Tunes estava originalmente rodeada por muralhas com um punhado de portões formais, a maioria dos quais foi alterada, reconstruída ou parcialmente demolida à medida que a cidade cresceu à sua volta, embora vários continuem a ser marcos reconhecíveis. Bab Bhar, também chamada Porte de France, marca a fronteira entre a medina e a Ville Nouvelle da era colonial, e é a entrada mais utilizada pelos visitantes que chegam pela Avenue Habib Bourguiba.

Bab Souika, a norte, abre para uma praça de mercado local mais movimentada e menos orientada para o turismo, oferecendo um contraste útil com o trecho sobrecarregado de recordações perto de Bab Bhar. Outros portões históricos sobrevivem mais como nomes de lugares ou vestígios parciais do que como estruturas completas, tendo sido absorvidos por construções posteriores à medida que a cidade ultrapassava as suas antigas muralhas ao longo dos séculos XIX e XX.

Para além de Bab Bhar e Bab Souika

O circuito defensivo original da medina incluía vários outros portões para além dos dois mais visitados hoje em dia. Bab El Khadra, a oeste, e Bab Saadoun, mais afastado, marcam ambos pontos onde as antigas muralhas encontravam estradas que levavam ao interior do país, e ambos foram substancialmente alterados por alargamentos de estrada posteriores, à medida que a cidade crescia à sua volta — visíveis hoje mais como marcos de trânsito e nomes de bairro do que como estruturas defensivas intactas.

Bab Jedid, a sul, é um dos exemplos mais bem preservados, mantendo mais do seu portal de pedra original do que vários dos seus equivalentes, e situa-se perto do bairro da Kasbah, na margem da medina. Nenhum destes portões secundários é uma paragem essencial da forma como Bab Bhar ou Ez-Zitouna o são, mas vale a pena reconhecê-los pelo nome se estiver a navegar pelos limites exteriores da medina e não apenas pelo seu centro denso.

Como ler uma porta cravejada

Os pregos de ferro que cobrem muitas portas da medina serviram originalmente uma função defensiva real, reforçando os painéis de madeira contra arrombamentos e acrescentando peso que tornava a porta mais difícil de derrubar. Com o tempo, o padrão de cravejamento também ganhou valor decorativo independente do seu propósito original, e algumas interpretações atribuem significado simbólico protetor a disposições específicas, ecoando tradições mais amplas do Norte de África e do Médio Oriente sobre afastar o mal de um limiar.

Dois batentes são comuns em portas mais grandiosas, permitindo historicamente que um visitante sinalizasse se era homem ou mulher consoante o batente que usava, já que o som diferia e a casa podia ajustar quem atendia em conformidade — um pormenor que vale a pena procurar ouvir se uma porta ainda tiver ambos.

Elemento da portaO que procurarÉpoca ou origem aproximada
Pregos de ferroCabeças de prego dispostas em padrões geométricos na madeiraOrigem defensiva, era otomana
Batente duploDois batentes de formas diferentes, um de cada ladoComum em casas mais grandiosas do século XIX
Arco de ferradura ou apontadoMoldura de pedra esculpida acima da portaAssociado a famílias mais abastadas ou eruditas
Pintura azulAzul vivo, mais concentrado em Sidi Bou Saïd do que na medina propriamente ditaCódigo municipal do século XX, não medieval
Madeira nua e desgastadaSem pintura, veio e idade visíveisCasas mais antigas, menos restauradas

Tour de sonho pela medina de Tunes percorre várias das melhores ruas residenciais para procurar portas, o que é uma vantagem genuína face a uma caminhada a solo, já que estas ruas nem sempre são óbvias num mapa.

A cor, e o que significa (e não significa)

O azul e o branco em conjunto são o esquema de cores mais associado à Tunísia em geral, sobretudo graças ao rigoroso código municipal azul e branco de Sidi Bou Saïd, mas dentro da própria medina as cores das portas são consideravelmente mais variadas — verdes profundos, amarelos ocre e madeira nua desgastada aparecem regularmente, sem uma regra única fixa que dite a cor por bairro ou tipo de casa.

Vale a pena resistir à suposição popular de que cores específicas na medina carregam sempre um significado religioso ou social fixo; na maioria dos casos, a escolha reflete a tinta disponível, a preferência pessoal e repinturas periódicas mais do que um sistema codificado, ainda que algumas portas individuais carreguem de facto elementos simbólicos genuínos nas suas ferragens ou molduras esculpidas.

Molduras em arco e vergas esculpidas

Acima de muitas das portas mais finas, um arco de pedra em ferradura ou ligeiramente apontado emoldura a entrada, por vezes esculpido com detalhe geométrico ou caligráfico, sobretudo em casas ligadas a famílias religiosas ou eruditas historicamente associadas a Ez-Zitouna.

Estas molduras esculpidas são uma forma razoável e rápida de avaliar o estatuto histórico provável de uma casa sem precisar de entrar — quanto mais elaborado o trabalho em pedra a emoldurar a porta, mais provável é que a casa por trás dela tenha sido originalmente um dar de algum estatuto. O guia dos palácios e museus dar da medina cobre vários dos exemplos mais grandiosos, onde a decoração da porta é acompanhada por um pátio interior igualmente elaborado.

Tunes: tour cultural icónico pela medina e centro da cidade aborda diretamente este pormenor arquitetónico como parte do seu percurso, útil se for especificamente a procura de portões e portas que o atrai à medina, e não as compras ou a comida.

O motivo da mão e outros símbolos recorrentes

Entre os elementos decorativos recorrentes nas portas da medina, uma forma estilizada de mão aberta — por vezes moldada como batente completo, por vezes trabalhada numa ferragem metálica menor perto da fechadura — aparece com frequência suficiente para merecer ser nomeada especificamente. Em todo o Norte de África, este motivo da mão está amplamente associado à proteção contra o infortúnio, um simbolismo partilhado, com variações, por várias tradições religiosas e populares da região, e não pertencente exclusivamente a nenhuma delas.

A sua presença numa porta não indica necessariamente nada sobre a casa para além de um costume regional partilhado, mas é um dos pormenores mais imediatamente reconhecíveis assim que se sabe o que procurar, distinto dos batentes mais simples, redondos ou em forma de gota, usados noutros locais.

Padrões geométricos de estrelas e treliças trabalhados em grades de ferro acima das portas ou em pequenas janelas ao lado são outro elemento recorrente, funcionando de forma decorativa e prática — permitindo a circulação de ar e algum grau de visibilidade a partir do interior sem comprometer a privacidade que o resto da fachada foi construído para proteger. Estas grades variam o suficiente em complexidade de padrão para que, tal como os arcos de pedra esculpidos, ofereçam uma forma informal e aproximada de avaliar a riqueza relativa de uma casa sem necessitar de conhecimento especializado.

Onde procurar, na prática

As ruas residenciais mesmo ao lado da Rue Jamaa Zitouna e à volta do conjunto de palácios dar perto de Ez-Zitouna tendem a ter uma maior concentração de portas bem preservadas do que as ruas mais movimentadas dos souks, simplesmente porque essas ruas veem menos reconstrução comercial e alteração de fachadas ao longo do tempo. Caminhar ligeiramente para longe do percurso turístico principal, mesmo que apenas uma ou duas ruas, costuma revelar portas em estado original visivelmente melhor. Explorar a medina de Tunes: tour guiado a pé percorre deliberadamente várias destas ruas residenciais mais tranquilas, em vez de se limitar apenas aos souks.

Etiqueta fotográfica

Muitas destas portas dão para residências privadas, não lojas ou edifícios públicos, e fotografar uma porta é geralmente aceitável, mas demorar-se em frente a uma porta aberta ou fotografar residentes sem pedir permissão passa de interesse arquitetónico a algo menos bem-vindo. Se um residente estiver visível numa entrada, o cortês é pedir ou simplesmente seguir caminho, em vez de o fotografar como parte da imagem. O início da manhã costuma oferecer tanto melhor luz como ruas mais tranquilas, reduzindo a hipótese de fotografar pessoas que preferiam não sair na fotografia.

Perguntas frequentes sobre os portões e as portas da medina de Tunes

Qual é o significado dos pregos de ferro nas portas da medina?

Reforçavam originalmente a porta contra arrombamentos; com o tempo, o padrão de cravejamento também se tornou decorativo, e nalgumas tradições carrega significado simbólico protetor ligado ao limiar.

Porque é que algumas portas têm dois batentes diferentes?

Historicamente, batentes de forma ou tamanho diferentes produziam sons diferentes, permitindo que uma casa soubesse se era um visitante homem ou mulher à porta antes de atender.

A cor da porta na medina significa algo específico?

Não num sentido estrito e universal — a escolha da cor reflete sobretudo preferência pessoal e repinturas periódicas, ainda que algumas portas individuais carreguem ferragens ou detalhes esculpidos verdadeiramente simbólicos.

Onde estão as portas mais bem preservadas da medina?

Nas ruas residenciais mesmo ao lado das ruas principais dos souks, sobretudo perto do conjunto de palácios dar em torno de Ez-Zitouna, que tendem a ter portas originais melhor preservadas do que as ruas comerciais mais movimentadas.

Bab Bhar é o único portão histórico que vale a pena ver?

Não — Bab Souika, a norte, é um contraste útil, abrindo para uma praça de mercado mais local e menos orientada para o turismo do que a zona à volta de Bab Bhar.

Posso fotografar as portas livremente?

Geralmente sim, para a própria arquitetura; evite demorar-se em frente a portas abertas ou fotografar residentes diretamente sem pedir, já que são casas privadas.

Procurar portas é adequado como atividade isolada, ou devo combiná-la com outra coisa?

Funciona melhor incluída numa caminhada mais alargada pela medina do que como viagem isolada — veja o percurso a pé pela medina de Tunes para uma rota que passa por ruas residenciais ricas em portas.

Qual é a melhor luz para fotografar as portas?

O meio da manhã dá uma luz boa e uniforme sem o brilho plano do sol do meio-dia, e as ruas residenciais estão geralmente mais tranquilas mais cedo no dia.

Os tours guiados são úteis para este interesse específico?

Sim — vários passeios guiados pela medina percorrem deliberadamente ruas residenciais mais tranquilas com portas melhor preservadas, que podem ser mais difíceis de encontrar de forma independente sem conhecimento local.

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